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Educação em finanças

Tesouro Direto: como declarar no imposto de renda

adminBy admin9 de junho de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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Tesouro Direto: como declarar no imposto de renda

Quem investe no Tesouro Direto sabe que a plataforma oferece uma das formas mais acessíveis de aplicar em títulos públicos federais no Brasil. Mas na época do ajuste anual de contas com a Receita Federal, uma dúvida bastante comum aparece: como declarar esses investimentos corretamente no Imposto de Renda? A boa notícia é que, com um pouco de organização e as informações certas em mãos, o processo é mais simples do que parece.

Este artigo foi escrito para ajudar você a entender a lógica da tributação do Tesouro Direto, quais campos preencher na declaração, quais documentos reunir e quais erros evitar. O objetivo é educativo: explicar o funcionamento das regras para que você possa cumprir suas obrigações fiscais com segurança. Para situações específicas ou dúvidas complexas, a orientação de um contador ou assessor registrado é sempre recomendada.

Vale lembrar que as regras tributárias podem ser atualizadas. Este artigo reflete as normas vigentes em 2026, mas sempre confirme as informações mais recentes diretamente no site da Receita Federal ou no portal do Tesouro Direto antes de enviar sua declaração.

O que é o Tesouro Direto e por que ele entra na declaração

O Tesouro Direto é um programa do governo federal, administrado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, que permite a pessoas físicas comprar títulos da dívida pública diretamente pela internet. Entre os títulos disponíveis estão o Tesouro Selic, o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+, cada um com características diferentes de rentabilidade e prazo.

Todo investimento financeiro que gera rendimentos está sujeito à tributação — e o Tesouro Direto não é exceção. Mesmo que o imposto já tenha sido retido na fonte ao longo do ano (o que normalmente acontece no Tesouro Direto), você ainda precisa informar esses valores na sua declaração anual de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF). Isso porque a Receita Federal cruza os dados informados pelos agentes financeiros com o que você declara. Omissões ou inconsistências podem gerar malha fina.

Como funciona a tributação do Tesouro Direto

Antes de saber como declarar, é importante entender a lógica do imposto que incide sobre esses títulos.

Imposto de Renda sobre os rendimentos

Os rendimentos do Tesouro Direto são tributados pelo Imposto de Renda na fonte, com alíquotas regressivas conforme o prazo da aplicação. Quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor a alíquota. A tabela regressiva funciona assim:

Prazo da aplicação Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Essa tabela é definida pela legislação vigente e pode ser consultada na Receita Federal. As alíquotas incidem sobre o rendimento líquido, não sobre o valor total investido.

IOF nos resgates antecipados

Se você resgatar um título do Tesouro Direto em menos de 30 dias após a compra, haverá cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), também com alíquota regressiva que vai de 96% (no primeiro dia) a 0% (a partir do 30º dia). O IOF é cobrado antes do IR e também é retido na fonte.

Come-cotas: não se aplica ao Tesouro Direto

Diferente dos fundos de investimento, o Tesouro Direto não tem come-cotas — aquele mecanismo semestral de antecipação de IR que reduz automaticamente as cotas de fundos em maio e novembro. No Tesouro Direto, o imposto só é cobrado no momento do resgate ou vencimento do título.

Quais documentos você precisa reunir

Antes de abrir o programa da Receita Federal (o PGDAS ou o aplicativo Meu Imposto de Renda), separe os seguintes documentos:

  • Informe de Rendimentos: emitido pela sua corretora ou banco custodiante. Esse documento traz o saldo dos títulos em 31 de dezembro do ano-base, os rendimentos recebidos e o IR retido na fonte. É a peça mais importante para a declaração.
  • Notas de corretagem ou extratos de movimentação: úteis para conferir compras, vendas e resgates realizados ao longo do ano.
  • Comprovantes de compra dos títulos: para saber o custo de aquisição e calcular eventuais ganhos de capital.

O informe de rendimentos costuma estar disponível na área logada da sua corretora a partir de fevereiro de cada ano. Se você tiver investimentos em mais de uma corretora, precisa reunir o informe de cada uma delas.

Passo a passo: como declarar no programa da Receita Federal

A seguir, um guia prático para preencher a declaração. Os campos podem variar ligeiramente dependendo da versão do programa, mas a lógica é a mesma.

  1. Abra o programa da Receita Federal (ou o aplicativo Meu Imposto de Renda) e acesse sua declaração.
  1. Acesse a ficha “Bens e Direitos” — aqui você informa o saldo dos títulos que você ainda possui em carteira.
  • Clique em “Novo”
  • Selecione o Grupo 04 – Aplicações e Investimentos
  • Escolha o Código 02 – Títulos públicos e privados sujeitos à tributação (Tesouro Direto, CDB, RDB e outros)
  • Informe o CNPJ da instituição custodiante (sua corretora ou banco)
  • No campo “Discriminação”, descreva o título (ex: “Tesouro Selic 2027, custodiado na [nome da corretora]”)
  • Preencha o saldo em 31/12 do ano anterior e o saldo em 31/12 do ano-base com os valores do informe de rendimentos
  1. Acesse a ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva” — aqui entram os rendimentos que já tiveram IR retido na fonte e não precisam ser tributados novamente.
  • Clique em “Novo”
  • Selecione o código 06 – Rendimentos de aplicações financeiras
  • Informe o CNPJ e o nome da fonte pagadora (sua corretora)
  • Preencha o valor dos rendimentos e o IR retido na fonte, conforme constam no informe de rendimentos
  1. Verifique se há resgates parciais ou totais realizados ao longo do ano. Para cada resgate, confirme que o IR correspondente foi retido e está refletido no informe.
  1. Se você vendeu títulos com lucro no mercado secundário, pode haver ganho de capital a declarar. Nesse caso, verifique com sua corretora se houve retenção e em qual ficha declarar — em geral, ainda na aba de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva.
  1. Revise os valores conferindo com o informe de rendimentos antes de finalizar.

Situações especiais que merecem atenção

Títulos com pagamento de juros semestrais

Alguns títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, pagam cupons de juros a cada seis meses. Cada pagamento de cupom é um evento de rendimento separado, com IR retido na fonte naquele momento. Todos esses eventos devem estar consolidados no informe de rendimentos da sua corretora.

Declaração simplificada x completa

Se você optou pela declaração simplificada, o desconto padrão de 20% sobre a base de cálculo já inclui todas as deduções, e os rendimentos de aplicações financeiras continuam sendo informados normalmente nas fichas específicas — eles não entram na base do desconto padrão.

Menores de 18 anos com investimentos

Se um menor de idade possui títulos do Tesouro Direto, os bens e rendimentos devem ser declarados na declaração do responsável legal, exceto se o menor tiver obrigatoriedade de declaração própria.

Herança ou doação de títulos

Títulos recebidos por herança ou doação seguem regras específicas de declaração. Nesse caso, consulte um contador para garantir o tratamento correto.

Erros comuns na declaração do Tesouro Direto

  • Não declarar por achar que o IR já foi pago: mesmo com a retenção na fonte, você precisa informar os valores na declaração.
  • Esquecer títulos de uma segunda corretora: quem usa mais de uma plataforma precisa consolidar os informes de todas elas.
  • Confundir rendimento com saldo: o saldo vai na ficha “Bens e Direitos”; o rendimento vai em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.
  • Usar valores aproximados: utilize sempre os números exatos do informe de rendimentos.
  • Deixar para a última hora: inconsistências descobertas em cima da hora aumentam o risco de erros.

Vantagens e pontos de atenção do Tesouro Direto como investimento

Para quem está avaliando o Tesouro Direto além da perspectiva fiscal, é importante ter uma visão equilibrada:

Vantagens:

  • Acessível a partir de valores baixos
  • Garantia do Tesouro Nacional (risco de crédito do governo federal)
  • Variedade de títulos para diferentes objetivos
  • Transparência de taxas e tributação

Pontos de atenção:

  • Títulos prefixados e IPCA+ marcados a mercado podem apresentar oscilação negativa de preço antes do vencimento, se resgatados antecipadamente
  • A rentabilidade depende do cenário econômico; para acompanhar as taxas atuais, acesse diretamente o site do Tesouro Direto
  • Há cobrança de taxa de custódia pela B3; verifique o valor vigente no portal oficial
  • Todo investimento envolve risco, incluindo risco de mercado, liquidez e conjuntura econômica

Se você ainda está estruturando sua base financeira, vale conhecer também como montar sua reserva de emergência antes de alocar recursos em investimentos de prazo mais longo.

Conclusão

Declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com o informe de rendimentos da sua corretora em mãos e a compreensão básica de quais fichas preencher, o processo se torna bastante direto. O ponto central é: saldo dos títulos vai em “Bens e Direitos”; rendimentos e IR retido vão em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

Organize seus documentos com antecedência, confira sempre os valores no informe oficial e, em caso de dúvidas sobre situações específicas — como herança, ganho de capital no mercado secundário ou múltiplas corretoras —, o apoio de um contador pode evitar problemas com a Receita Federal.

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui recomendação de investimento, assessoria financeira ou consultoria tributária personalizada. Para decisões de investimento ou questões fiscais específicas, consulte um profissional habilitado ou assessor de investimentos registrado na CVM.

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