Quanto rende R$ 1.000 na poupança por mês?
Você juntou R$ 1.000 e a primeira ideia que surgiu foi colocar na poupança. Faz sentido: é simples, conhecida, isenta de Imposto de Renda e protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Mas será que esse rendimento realmente faz o seu dinheiro crescer — ou ele apenas sobrevive à inflação, quando sobrevive?
Essa é uma das perguntas mais comuns entre quem está começando a organizar as finanças, e a resposta honesta envolve entender como a poupança funciona de verdade, quanto ela rende na prática e o que mais existe por aí para comparar. Não se trata de demonizar a caderneta, mas de olhar para ela com olhos abertos.
Neste artigo, vamos calcular cenários reais, explicar as regras atuais e ajudar você a tomar decisões mais conscientes sobre onde guardar seu dinheiro — seja R$ 1.000 de uma vez ou como hábito mensal de poupança.
Como funciona o rendimento da poupança em 2026
Antes de falar em números, é preciso entender a regra. O rendimento da poupança no Brasil não é fixo — ele depende diretamente da taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
A regra vigente, estabelecida pela Lei nº 12.703/2012, funciona assim:
- Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano: a poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR)
- Quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano: a poupança rende 70% da Selic + TR
A Taxa Referencial (TR) costuma ficar próxima de zero na maioria dos períodos, mas pode variar. Para saber o valor exato da TR e da Selic vigentes, consulte diretamente o site do Banco Central do Brasil.
> Importante: como a Selic muda conforme as decisões do Copom, o rendimento da poupança também muda. Por isso, não é possível cravar aqui um número que será válido para sempre. O que podemos fazer é mostrar como calcular e interpretar esses rendimentos.
Quanto rende R$ 1.000 na poupança: simulações práticas
Para fins didáticos, vamos usar dois cenários hipotéticos de Selic — um mais alto e um mais baixo — para ilustrar a diferença. Esses não são necessariamente os valores atuais; use-os apenas para entender a lógica.
Cenário 1 — Selic alta (ex: 12% ao ano)
Neste caso, a poupança rende 0,5% ao mês (já que a Selic está acima de 8,5%) mais TR. Desconsiderando a TR para simplificar:
- Rendimento mensal sobre R$ 1.000: aproximadamente R$ 5,00
- Em 12 meses (sem novos aportes): cerca de R$ 61,68 (juros compostos)
- Saldo final após 1 ano: aproximadamente R$ 1.061,68
Cenário 2 — Selic baixa (ex: 5% ao ano)
Aqui, a regra muda: a poupança rende 70% da Selic ao ano + TR.
- Rendimento anual efetivo: cerca de 3,5% ao ano
- Rendimento mensal: aproximadamente 0,29% ao mês
- Em 12 meses sobre R$ 1.000: cerca de R$ 35,00
- Saldo final após 1 ano: aproximadamente R$ 1.035,00
E se você depositar R$ 1.000 por mês?
Agora a situação fica mais interessante. Imagine aportes mensais de R$ 1.000 ao longo de 12 meses, no cenário de Selic alta (0,5% ao mês):
- Total investido: R$ 12.000
- Rendimento estimado (juros compostos com aportes mensais): cerca de R$ 390 a R$ 400
- Saldo estimado ao final de 12 meses: aproximadamente R$ 12.390 a R$ 12.400
Esses números são estimativas didáticas. Use sempre uma calculadora de juros compostos — como a disponível no site do Banco Central — para simular com as taxas atuais reais.
A poupança é isenta de IR — mas isso resolve tudo?
Um dos maiores atrativos da poupança é a isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Você não declara o rendimento e não paga nada ao Fisco sobre o que a caderneta render. Isso é real e relevante.
No entanto, é preciso contextualizar: outros investimentos de renda fixa, como o Tesouro Selic ou CDBs, têm IR descontado na fonte, mas suas taxas brutas costumam ser consideravelmente maiores. Dependendo do prazo e da alíquota aplicável, o rendimento líquido (após IR) ainda pode superar o da poupança.
A tabela regressiva de IR para renda fixa funciona assim:
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Portanto, para uma comparação honesta, sempre compare o rendimento líquido de cada produto — não o bruto.
Poupança vs. outras opções: uma comparação educativa
A poupança não existe no vácuo. Veja como ela se posiciona em relação a outras alternativas acessíveis ao pequeno investidor:
| Produto | Rendimento | IR? | Liquidez | Proteção FGC |
|---|---|---|---|---|
| Poupança | 0,5%/mês + TR (se Selic > 8,5%) | Isento | Diária* | Sim (até R$ 250 mil) |
| Tesouro Selic | Próximo de 100% da Selic | Sim (tabela regressiva) | Alta (D+1) | Não (garantia do Tesouro Nacional) |
| CDB de banco grande | Varia (ex: 90–100% do CDI) | Sim (tabela regressiva) | Depende do título | Sim (até R$ 250 mil) |
| CDB de banco menor | Pode superar 110% do CDI | Sim (tabela regressiva) | Depende do título | Sim (até R$ 250 mil) |
| LCI/LCA | Varia | Isento (PF) | Geralmente menor | Sim (até R$ 250 mil) |
*A poupança tem uma peculiaridade importante: o rendimento só é creditado na data de aniversário do depósito (mensal). Se você sacar antes, não recebe nada pelos dias em que o dinheiro ficou aplicado naquele ciclo.
Para comparar CDB e Tesouro Direto com mais profundidade, confira o artigo CDB ou Tesouro Direto: qual rende mais em 2026?.
Quando a poupança faz sentido — e quando não faz
Ser honesto sobre a poupança significa reconhecer tanto seus pontos fortes quanto suas limitações.
Vantagens reais da poupança
- Simplicidade: qualquer pessoa pode abrir e usar, inclusive menores com representante legal
- Sem IOF: diferentemente de alguns investimentos de curto prazo
- Isenção de IR: sem burocracia fiscal para pessoa física
- Proteção do FGC: até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira
- Zero custo: sem taxas de administração ou custódia
Limitações que merecem atenção
- Rendimento historicamente abaixo da inflação em vários períodos: dependendo do cenário econômico, a poupança pode render menos do que a inflação medida pelo IPCA, corroendo o poder de compra real do seu dinheiro
- Regra do aniversário: saques antes da data de aniversário do depósito não rendem nada no ciclo atual
- Concorrência fraca em ambientes de juros altos: quando a Selic sobe, outros produtos de renda fixa se tornam ainda mais atrativos em termos de rendimento líquido
Como montar um hábito de poupança mais eficiente
Independentemente de onde você guarda seu dinheiro, o hábito de guardar regularmente é o que mais importa no longo prazo. Veja um passo a passo simples:
- Defina um valor fixo mensal — mesmo que pequeno, consistência supera valor inicial
- Automatize o processo — configure débito automático ou transferência no dia do pagamento do salário
- Separe por objetivos — reserva de emergência, viagem, entrada do imóvel: cada objetivo pode ter um destino diferente
- Reavalie periodicamente — a cada seis meses, verifique se o produto escolhido ainda faz sentido para seu perfil e momento de vida
- Acompanhe a Selic — como a poupança depende dela, entender o cenário de juros ajuda nas decisões
- Compare rendimentos líquidos — sempre após IR e taxas, não apenas o número bruto
A inflação: o inimigo silencioso do dinheiro parado
Um ponto crítico que muitos esquecем: guardar dinheiro sem rendimento real (acima da inflação) equivale a perder poder de compra ao longo do tempo. Se a inflação anual (medida pelo IPCA, calculado pelo IBGE) for de, digamos, 5%, e a poupança render 4%, você terminou o ano mais pobre em termos reais.
Por isso, ao avaliar qualquer investimento — incluindo a poupança — pergunte-se sempre: esse rendimento supera a inflação atual? Para isso, acompanhe o IPCA no site do IBGE e a Selic no site do Banco Central.
Essa pergunta simples já coloca você à frente de muitos investidores iniciantes.
Conclusão: R$ 1.000 na poupança rende — mas o contexto importa

R$ 1.000 na poupança rende sim. O valor exato depende da Selic vigente, da TR e de quanto tempo o dinheiro fica aplicado sem saques antes do aniversário. Para a maioria das pessoas, a poupança funciona bem como ponto de partida ou reserva de emergência imediata — pela simplicidade e proteção do FGC.
Porém, à medida que você consolida sua reserva e começa a pensar em crescimento patrimonial, vale conhecer as alternativas. Tesouro Selic, CDBs e LCIs/LCAs são produtos acessíveis, seguros e, dependendo do cenário, mais rentáveis em termos líquidos. Educação financeira não é sobre abandonar a poupança — é sobre entender quando ela serve e quando outra opção serve melhor.
O primeiro passo é exatamente este: perguntar “quanto rende?” e buscar a resposta com dados reais. Você já deu esse passo.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira nem assessoria personalizada. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros, e todo investimento envolve riscos. Para decisões financeiras adequadas ao seu perfil e situação, consulte um profissional certificado ou assessor de investimentos registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
